sexta-feira, 6 de setembro de 2024

 HOJE, DIA 06 de SETEMBRO DE 2024, das 15:00 às 15:40hs ,  EU, GUILHERME DE FARIA E A ALMA WELT, ESTAREMOS NO ESTANDE A80 da Editora IPÊ DAS LETRAS, na BIENAL INTERNACIONAL DO LIVRO, de SÃO PAULO, LANÇANDO, DEDICANDO E AUTOGRAFANDO QUATRO LIVROS DA ALMA WELT.  

ESPERAMOS VOCÊS LÁ

quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

O Sono da Alma (de Alma Welt)

                                                             O Sono Inocente da Alma -o/s/t de Guilherme de Faria, 2021, 30x40cm coleção do artista

O Sono da Alma (de Alma Welt)

Sonhei-me um sono em berço conturbado
Em um bote pequeno e à deriva,
Pelas vagas tão ferozes embalado
Sobre rochas, em dormência permissiva.

Que sono calmo, que sonhos de delícias,
Em meio ao fragor dos elementos
Que me eram assim como carícias
Nesse mais puro, talvez, dos meus momentos.

Mas desperta, não me contem de procelas,
Das tais vagas espumantes de maldade,
Que esqueci de içar as minhas velas...

Assim é a inocência neste mundo:
Nada pode abalá-la na verdade,
Já que é sono náufrago e profundo...
.
01/11/2021

 Nota
 Este belíssimo soneto da Alma Welt  por alguma razão foi escolhido por declamadores portugueses com canal no youtube . Não obstante as belas vozes maculinas de tais declamadores  ( entre elas, nitidamente uma por A.I, pessimamente declamada), não concordei com a interpretação de nenhuma e protesto, visto que juridicamente tenho os direitos sobre a obra da Alma Welt (Guilherme de Faria). 

terça-feira, 2 de janeiro de 2024

Fortuna Imperatrix Mundi ( de Alma Welt)

Atirados neste mundo de perigos
Todos temos nossa nau em tempestade
E enfrentamos os deuses da Vontade
E até os nossos Eus quando inimigos.

De quê, ó Alma, assim, falas sem peias?
Teremos o destino que escolhermos
E procelas são os nossos próprios termos,
Como também a calmaria das sereias.

Mas estamos a falar da mesma cousa
E as escolhas não mudam portulanos
Somente a rota do nosso giz na lousa...

"A Sorte é a Imperatriz do Mundo"
Era como formulavam os romanos,
E jamais disseram algo mais profundo...
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02/01/2024

segunda-feira, 1 de janeiro de 2024

O Sonho da Fada Verde (de Alma Welt)

A fada verde, tentadora, veio a mim
Adejando num sonho inusitado
Com Ágata e Poirot, num ton mesclado *
Se fundindo para o mesmo incerto fim...

Quê, diabos era isto? eu clamava:
Verde vento, que verde não te quero *
Numa mesa de calçada onde sentava
Num crepúsculo vago e etéreo.

Mas se nem meus próprios vinhos já não bebo... *
Por quê meus sonhos traem minha sobriedade
Me cercando destas fadas da cidade?

Verde que verde te rejeito e te renego,
Que há muito desisti de um pau de sebo*
Ou tentar nele subir prego por prego... *
,
01/01/2024
_____________________
Notas
* Fada Verde - (fée verte) como era chamado o ABSINTO (a bebida) que matou tantos artistas na Paris boêmia do século XIX e começo do XX.

*Com Agatha e Poirot num ton mesclado - Alma faz um jogo de palavras com a escritora Agatha Christie e "ágata", uma pedra que quando verde tem o ton da bebida, e o detetivo famoso criado por ela, o inspetor Poirot (cujo nome parece derivar de pêra, uma pequena pêra), cujo nome evoca a fruta que se punha dentro das taças de absinto.

*Verde vento, que verde não te quero - paráfrase do famoso refrão do "Poema Sonâmbulo", do Romancero Gitano, de Federico Garcia Lorca: "Verde que te quero verde/ Verde viento, verdes ramas/ El barco sobre la mar /Y el caballo en la montaña...

*Mas se nem meus próprios vinhos já não bebo - Alma é de uma família de vinhateiros do Pampa, mas declara que já não bebe nem os vinhos fabricados por ela, que herdou e toca o vinhedo herdado do pai e avós.

"Que há muito desisti de um pau de sebo-Alma com este enigmático verso, parece sugerir ter tido problemas com o álcool (pau de sebo?), a que ela concientemente parece renunciar com este soneto em forma de descrição de um vago sonho feérico...

" tentar nele subir pregando prego - (pregar pregos no pau de sebo do alcolismo? ) : insistir em beber tentando ludibriar (em vão) o álcool...


quarta-feira, 19 de outubro de 2022

O Final -A Terra Devastada * (de Alma Welt)

Quase tudo o que guardamos nos define,
Até mesmo a tralha, o bric-a-brac;
Que ninguém portanto se amofine
Se em vez de explosão vier um trac... *

Sim, no fim, como pobres faraós
Quereríamos levar tanta besteira,
Seja num caixão ou numa esteira
Porque se grudou a escória em nós,

Pobres humanos na terra devastada
Ou mesmo em abundância, não importa,
Todos temos que transpor a estreita porta.

E no fim só passamos com um suspiro *
Com a roupa do corpo e quase nada,
Que aos dedos e aos anéis nem me refiro... *
.
19/10/2022

Notas
*A Terra Devastada - Alma alude ao grande poema de T.S. Eliot , "The Waste Land".

* Em vez de explosão vier um trac /
* E no fim só possamos com um suspiro - Alma alude aos últimos versos do poema "Os Homens Ocos", de TS Eliot : "Assim expira o mundo/Não com uma explosão, mas com um suspiro.

*Que aos dedos e aos anéis nem me refiro. - Alusão ao ditado popular: "Vão-se os anéis, ficam os dedos..."

A Herança, o romance (de Alma Welt)

Meu intuito foi embelezar a vida
Por do simples coração a atitude
De malícias ou intrigas desprovida,
Sem qualquer ambição do que não pude.

Alma - dizem- tua luta pela estância
Não foi apego material, da posse o amor,
Bravura com um toque de ganância
Que define toda guerra e seu horror?

Sim, retruco (não endosso hipocrisia)
Mas o espírito encarna em quase tudo
Já que no nosso corpo ele estagia...

No casarão, seu jardim e a vindima,
E no grande Steinway agora mudo
Ouço a voz de meu pai vinda de cima...
.
19/10/2022

segunda-feira, 17 de outubro de 2022

Nossas Senhoras (de Alma Welt)


Para a Nossa Senhora, sim, oramos.
Mas não a qualquer uma, escolhamos:
Se for o caso, uma das boas, a dos Aflitos,
Mas nunca só por causa dos mosquitos.


Nossa Senhora do Bom Parto é também boa
Mas não a invoquemos jamais, assim, à toa,
Porque se em vão ela for incomodada,
Sem querer te verás prenha, por um nada...

Nossa Senhora dos Nós, desatadora,
Essa é demais pois é até doutora
Em dificílimos nós de marinheiro,

Pois valeu-me, enredada por inteiro
Ao desfiar-me a teia, num nó louco,
Essa Santa das santinhas do Pau Oco...
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17/10/2022

segunda-feira, 10 de outubro de 2022

O segredo da vida (de Alma Welt)

Se o segredo do soneto é o mote,
O de uma vida feliz é só o amor.
Mas não desprezando o fator sorte
Podes corrigir o rumo e o andor...

Quero dizer: há erros de pessoa
Mas nem por isso guardes mágoa.
Embora também muita coisa à toa,
Por debaixo da ponte passa água.

Uma vez, por falso amor fui confrontada
Que cobrou-me o que devo e o que não devo,
E foi-se o que sobrara do enlevo...

E pra não ficar triste, envergonhada,
Comecei a tentar dançar o frevo,
Graciosa mas patética empreitada...
.
10/10/2022

A linguagem da alma (de Alma Welt)

Escrever, da alma é a linguagem,
Para quem sintoniza o seu canal.
Mas é preciso acurácia em seu dial
E à estática não dar uma vantagem...

Emita um som claro e explícito,
Mas podes abusar de adjetivos
Se barrocos forem teus objetivos
Mas quando não for é pouco lícito.

Um mestre Zen, que muito havia escrito,
De repente calou-se de vergonha
E colocou-se em pose de cegonha

Porque o mestre, relendo sua edição
Percebeu uma pobre dicção
Que deixaria o dito por não dito...
,
10/10/2022


Renascimento (de Alma Welt)

Tudo ou quase tudo me interessa
Mas não suporto bobagens, ninharias;
Tenho todo o Tempo e tenho pressa
De me livrar de uma ou duas "pizzas frias".

Conflitos, dores, rancores, dependência,
Um rol considerável de resquícios
De tempos mal vividos por carência,
E, para ser franca, por uns vícios...

Mas sobriedade e Arte triunfantes
Levaram a melhor no meu percurso,
Então nada mais seria como antes...

E agora mãos à obra, Amor requer,
Com os meus melhores versos já em curso
Que renasci como poeta e mais mulher...
.
10/10/2022

Como cantar o Amor? (de Alma Welt)

Como cantar o amor, eu me questiono,
Depois daquele parzinho de Verona,
Ou após noiva-cadáver sobre um trono
Que do fundo da terra veio à tona?

Ou da Heloiza e o Abelardo,
(só o dela que restou, ele castrado)
Ou de soror Mariana Alcoforado
Pelo uniforme de um hussardo?

Ou como o da Marília de Dirceu
Não o comunista, um mais decente
Naquela tal Vila Rica inconfidente...

Ou da bela Psiqué, livre afinal,
Por Eros que a levou ao apogeu
Com Zeus lhe dando o néctar imortal...
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10/10/2022

A Vincent (de Alma Welt)

Vincent querido, a tristeza teve fim.
Não precisas mais ferir a tua orelha
Nem chegares ao fim de tua botelha,
Que na noite estrelada estás enfim.

Sofreste tanto que até em mim o sinto
E ainda choro quando nem devia mais
Já que bebes uma estrela de Absinto, *
Uma coisa que pintando eras capaz...

Se fizeste de ti mesmo o inimigo,
Tiveste o amor do Theo e da Johanna
Que sofriam por ver-te em tal perigo.

Mas mudando em beleza a dor humana,
Ganhaste o Céu na Terra finalmente:
Vê diante de tuas telas quanta gente!
.
10/10/2022
Nota
No 
Apocalipse (8/11) de São João, a estrela que caiu na terra tem o nome de "Absinto"...

Dai-me (de Alma Welt)

Olho em torno de mim a minha vida:
Deus deu-me até mesmo um corpo belo
E uma face que me deixa comovida
Mas que o pacto narcísico não selo.

Tenho tanto a colher, Deus, dai-me tempo!
Minha safra é enorme e o tempo é curto.
Minha inspiração não é mero surto
Que se extingue como passa o vento...

Que pomar, seara imensa, que vindima!
Sempre tive ao meu redor frutos da terra
E outros tantos do astral, do céu acima...

Senhor, tanto já me dais e deslumbrada
Corro o risco do orgulho que isso encerra,
Dai-me, pois, mais humildade... e mais nada.
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10/10/2022

Quase (de Alma Welt)

Deus é quase sempre generoso,
Se nos permite da Beleza desfrutar
Ou do momento de supremo gozo
Já que a todos, quase todos, Deus quis dar.

Mas esse "quase" é que é o Mistério
Pois alguns de nós, tão desprovidos,
Parecem não ter tempo nem critério
Para fruir beleza ou gozo comovidos...

Serão esses os maus ou mesmo os brutos
Aqueles pobres por Deus abandonados,
Serão os anjos caídos por insultos?

Que sei eu... tudo é mistério neste mundo,
E perco a alegria e os bens herdados,
Se do "quase" insistir em ir ao fundo...
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10/10/2022

Tudo por aqui (de Alma Welt)

Do Paraíso descobri a macieira
Aqui mesmo no pomar da minha estância
Embora ainda fosse uma criança
E podia não passar de brincadeira.

Mas como explicar, se não me creem?
Quase impossível crer se não me veem
Levitar quando dela me aproximo,
Coisa que num tribunal, até, confirmo.

E o Santo Graal, então? Também o tenho
Transfigurado em canequinha de piá,
Que dele desde então bebendo venho...

Mas jaz presa na pedra a Excalibur,
Já que espero de mim meu rei Arthur
De um reino encantado que em mim há...
.
10/10/2022

A Permuta (de Alma Welt)

Nada mais prazeroso que compor
Um poema, um soneto ou um conto
Se nos vêm em jato, e sem dor,
Já que os colhemos nalgum ponto...

Sim, Alef, esse ponto, ou um clarão,
Como já o descobrira o velho Borges
Que cego o enxergara num porão,
Que poesia não tiramos dos alforges.

A Arte está no astral, mas nos pertence ,
Se a colhemos como fruto concedido,
Embora de tão ampla, até nos vence.

Mas somente este presente nos és dado
Pra devolvermos, talvez, o proibido,
Que Deus, de esperá-lo está cansado...
.
10/10/2022

Tributo ao soneto alexandrino (de Alma Welt)

Viver é expressar-me, não m'o tirem
O direito ao soneto, que escolhi.
É meio de deixar que assim me mirem:
Nua, dentro e fora... e assim vivi.

Se é preciso que regras respeitemos,
Eu prefiro a das doze badaladas:
Meio, dia, meia noite, nas caladas,
São favas contadas, sempre temos.

Mas não são arreios, menos freios,
Apenas disciplina em liberdade,
Uma expansão por outros meios...

E no fim, livre e voando como ave,
Meu ouro é somente a dita chave
Da minha irrestrita humanidade...
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10/10/2022

domingo, 9 de outubro de 2022

A Porta (de Alma Welt)

Também me vi, assim, em selva escura
Perdida a vera estrada, como Dante,
Acuada pelas feras da loucura,
Não podendo sequer seguir adiante...

Bah! Não me digas que "vais pagar comédia"
Como zoam "manos" fora da colônia,
Pobres diabos de obscura enciclopédia
De gírias da remota Babilônia

Quando da Torre em soberba construção
Se fez da lingua uma estranha confusão
E, pois, temos que também reconstruí-la...

Mas, ò Alma, não chegaste à grande Porta?
Só divagas, ou não pode dividí-la
Quem as próprias visões não mais suporta?
.
09/0/2022

Meu Diário (de Alma Welt)

Se tão cedo fui chamada a escrever,
No começo era apenas um Diário
De guria, bem dotada, a se rever
Como num espelho não contrário...

Assim pensava, eu, ingenuamente,
Refletindo-me em páginas secretas
Como se algo então na minha mente
Pudesse por em risco grandes metas.

Ó santíssima candura, quão naïve
Era a alma desta Alma, ingênua e pura
A assim documentar-se enquanto a tive...

Mas não! O que perdi nem mesmo sei,
Pois a Poesia em mim reina e perdura,
Que através da Arte vivo, e me salvei...
.
02/10/2022

O Jogo das bolhas de sabão (de Alma Welt)

Quantas vezes tateamos na penumbra
Seguindo tão somente o nosso faro
De lembranças e do sentimento raro
Como lobos caminhando pela tundra...

Percepções difíceis, vagas e sutis
Que mal logramos, a rigor, sintonizar
Evitando as escolhas torpes, vis,
Para o nosso pensamento clarear...

Mas do quê estás falando, ó minha Alma?
Não sabes que o caminho está traçado
No solo claro e limpo da tua palma?

Tudo é Destino, mormente tuas escolhas
E não poderás senão cumprir teu fado,
Teu soprinho a formar tão belas bolhas...
.
09/10/2022